sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Vida e obra de Geraldo Vandré

Geraldo Vandré _ Geraldo Pedrosa de Araujo Dias, 12-9-1935 (João Pessoa, Paraíba). Na adolescência participou de pequenos shows e bailes, mudou-se para o Rio de Janeiro para tentar carreira de cantor, chegando a se apresentar com o pseudônimo de Carlos Dias para cantar a música de um jovem autor num Festival de Estudante (Carlos Lira, então com 15 anos). Cantou em programas de calouros, entrou no Direito onde fez música com o mesmo Carlos Lira, participou do Centro Popular de Cultura e gravou a primeira música da parceria em 1961, Quem quiser encontrar o amor. Em 1962 gravou outra música com o parceiro, Aruanda e passou a se interessar mais pela composição. Foi assumindo mais a carreira como compositor e gravou o primeiro LP em 1964, destacando-se a composição Fica mal com Deus. Cantou a música de Chico Buarque, Sonho de um Carnaval no I Festival de Música Popular Brasileira da TV Record de São Paulo, gravou novo LP (Hora de Lutar) e fez a trilha sonora do filme A hora e a vez de Augusto Matraga (direção de Roberto Santos). Em 1966 fez sucesso com Pequeno concerto que virou canção, venceu o Festival Nacional da Música Popular da TV Excelsior com Porta-estandarte (parceria com Fernando Lona), venceu também o II FMPB da TV Record com Disparada (com Téo de Barros, apresentada por Jair Rodrigues), empatando com A Banda de Chico Buarque e foi 2o. colocado no I FIC (Festival Internacional da Canção) da TV Rio com O cavaleiro, em parceria com Tuca, cantora que já havia defendido a música Porta-estandarte em dupla com Airto Moreira. Em 1968, no II FIC, causou polêmica nacional o 2o. lugar que tirou com Caminhando (ou Prá não dizer que não falei das flores). Era a música preferida do público, a letra conclamava a inquietude com o regime militar que se tornava mais rígido e o primeiro lugar foi dado a Sabiá (de Chico Buarque e Tom Jobim), ao que consta,por pressão dos militares. Sabiá foi vaiada durante toda a apresentação pelo público que lotava o estádio do Maracanazinho. A música se transformou num Hino dos estudantes inconformados com o regime nos anos que se seguiram. Com o fechamento do Congresso em 1968 foi preso e exilou-se no Chile e seguiu para a Europa. Suas músicas e apresentações para televisão foram proibidas no Brasil, tendo realizado um show no Paraguai, na fronteira com o Brasil apenas em 1982. Dentre outras obras detacam-se Ladainha (1965), Canção Nordestina (1966), João e Maria (1967, com Hilton Accyoli), Arueira (1967), Rancho da rosa encarnada (1967, com Gilberto Gil e Torquato Neto).
Disparada, cantada no Festival da Record de 1966 por Jair Rodrigues

Nessa música podemos observar o tempo em que a ditadura militar prendia, torturava, perseguia e matava. Essa música faz referência a censura sofrida por todos naquela época!

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

MPB na Ditadura

regime militar no Brasil, que se manteve no poder no país de 1964 a 1985, buscava vigiar e controlar o espaço público e todo o enunciado político contra a ditadura, buscava-se desmobilizar a sociedade para manter o regime. Nos veículos de comunicação em massa havia mensagens políticas de resistência, assim aconteceu com a música brasileira, principalmente para driblar a censura que ocorria sobre as composições musicais. Nos documentos da DOPS, uma das instituições que mais perseguiam os artistas, havia uma produção constante de suspeitas que seguiam critérios improvisados de perseguição; bastasse o artista participar de eventos estudantis, festivais, regravar artistas perseguidos, citar nomes políticos, entre outros fatores, para que o artista fosse perseguido.
Qualquer composição musical ou declaração que chocasse a “normalidade” política da ditadura era registrado como suspeito. Classificava-se grupo de atuação comunista aqueles que eram formados por Francisco Buarque de Holanda, Edu Lobo, Nara Leão, Geraldo Vandré, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Marilda Medalha, Vinícius de Moraes, Milton Nascimento, entre outros.


Na década de 70, Chico Buarque passou a ser considerado inimigo número 1 do regime, seguido por Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton, Gonzaguinha e Ivan Lins. Elis Regina passou a fazer parte da lista ao gravar o hino da anistia, a música “O bêbado e a equilibrista”.
Além de espaços sociais serem suspeitos, a atividade artística era considerada suspeita e subversiva. Os departamentos de investigação visaram defender a ordem política da época e manter os grupos familiares e seus devidos laços morais. Mas como cantava Caetano Veloso : “é proibido proibir”.


quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Doutrina de Segurança Nacional


Doutrina de Segurança Nacional e o Manto dos Atos Institucionais durante a Ditadura Militar Brasileira

No Brasil, o fim das liberdades democráticas, a repressão e o terror como política de Estado, foram formuladas através de uma bem arquitetada estrutura legislativa, que dava sustentação ao regime militar. Devemos enfatizar que a ditadura militar não foi resultado do acaso, de um acidente. Pelo contrário, ela foi sendo estruturada conforme a democracia e a participação política da população iam se ampliando. Não podemos negar que no início dos anos 60 estava sendo configurada uma nova forma de ação, através da organização popular, que questionava o arbítrio interno e a dependência externa e exigia mudanças nas estruturas econômicas e sociais, visando uma maior inclusão social da população pobre e trabalhadora.

O grupo militar que tomou o poder em 1964 vinha de uma tradição militar mais antiga, que remonta à participação do Brasil na II Guerra. A participação do Brasil ao lado dos países aliados, acabou sedimentando uma estreita vinculação dos oficiais norte-americanos e militares brasileiros, como os generais Humberto de Castelo Branco e Golbery Couto e Silva.
Terminada a guerra, toda uma geração de militares brasileiros passaram a freqüentar cursos militares norte-americanos. Quando esses oficiais retornavam dos EUA, já estavam profundamente influenciados por uma concepção de “defesa nacional”. Tanto que alguns anos mais tarde vão criar a Escola Superior de Guerra (ESG), vinculada ao Estado Maior das Forças Armadas. Essa escola foi estruturada conforme sua similar norte-americana National War College.
Nos dez anos que vão de 1954 a 1964, a ESG desenvolveu uma teoria de direita para intervenção no processo político nacional. A partir de 1964, a ESG funcionaria também como formadora de quadros para ocupar funções superiores nos sucessivos governos (Brasil: Nunca Mais, 1985, p. 70).
Foi dentro da ESG que se formulou os princípios da Doutrina de Segurança Nacional e alguns dos seus subprodutos, como por exemplo, o Serviço Nacional de Informações (SNI). Essa doutrina, que vai virar lei em 1968, com a publicação do decreto-lei no. 314/68, tinha como objetivo principal identificar e eliminar os “inimigos internos”, ou seja, todos aqueles que questionavam e criticavam o regime estabelecido. E é bom que se diga que “inimigo interno” era antes de tudo, comunista.
Essa nova estrutura de poder e de controle social se materializa com a publicação do Ato Institucional No. 1, que subvertia a ordem jurídica até então estabelecida. No preâmbulo do AI-1, instituído em 09 de abril de 1964, os militares já enfatizavam essa nova realidade:
O ato institucional que é hoje editado se destina a assegurar ao novo governo a ser instituído os meios indispensáveis à ordem de reconstrução econômica, financeira, política e moral do Brasil, de maneira a poder enfrentar de modo direto e imediato os graves e urgentes problemas de que dependem a restauração da ordem interna e o prestígio internacional de nossa pátria.
Com esse ato os militares não só ditavam novas regras constitucionais, como impunha profundas remodelações no sistema de segurança do Estado. Através do AI-1, foi institucionalizado o sistema de eleição indireta para Presidente da República, bem como dado poderes ao presidente para ditar nova constituição, fechar o congresso, decretar estado de sítio, impor investigação sumária aos funcionários públicos contratados ou eleitos, abrir inquéritos e processos para apurar responsabilidades pela prática de crime contra o Estado ou contra a ordem política e social, suspender direitos políticos de cidadãos pelo prazo de dez anos e cassar mandatos legislativos de deputados federais, estaduais ou mesmo de vereadores.
Durante a ditadura militar foram editados 17 atos institucionais. Mas entre eles, o mais polêmico e violento foi o de Número 5. O AI-5, editado em 13 de dezembro de 1968, reedita os princípios do AI-1, suspende o princípio do habeas corpus e institui de forma clara e objetiva a tortura e a violência física contra os opositores do regime.
Na verdade o AI-5 simbolizou um forte ciclo de repressão com amplos expurgos em órgãos políticos representativos, universidades, redes de informação e no aparato burocrático do Estado, acompanhados de manobras militares em larga escala, com indiscriminado emprego da violência contra todas as classes.
Em tal contexto político, além de tudo, o Congresso Nacional teve suas atividades suspensas por quase um ano, fazendo companhia às assembléias estaduais e municipais que também foram fechadas. Com as bases do Congresso enfraquecidas, a facilidade encontrada para efetivar a publicação de atos institucionais e de decretos-leis foi grande. Os decretos-lei, em sua maioria, iniciaram um processo de regulamentação da economia brasileira, procurando, em larga medida, torná-la atrativa para os investidores estrangeiros através da concessão de incentivos fiscais que facilitassem o desenvolvimento econômico da nação.
O manto dos atos institucionais e a autoridade absoluta dos militares serviriam como proteção e salvaguarda do trabalho das forças repressivas, fossem quais fossem seus métodos de ação. Só para ter uma idéia, durante o regime militar foram criados vários órgãos de repressão, como o SNI, os DOI-CODIs, o CIEX, o CENIMAR, a CISA, além do fortalecimento dos DOPS em todos os Estados. Foram criados ainda os Inquéritos Policiais Militares (IPMs), cujo objetivo era processar e criminalizar militantes e políticos que lutavam contra o regime militar. Somente o projeto Brasil: Nunca Mais (BNM) conseguiu reunir cópias de 717 IPMs, onde foram processados mais de 20 mil pessoas. Muitos dos processos não vieram à tona e estão ainda por ser verificados.
O aparato repressivo estatal se constituía de elementos que agiam de forma integrada: uma rede eficiente de informação, representada essencialmente pelo SNI (Serviço Nacional de Informação) criado pelo General Golbery do Couto e Silva e em funcionamento desde 1964, responsabilizando-se por direcionar todas as informações recebidas para o Poder Executivo; organizações que encabeçavam as ações repressivas em nível local, como a DM (Divisão Municipal de Polícia), coordenada pela DOPS que, por sua vez, se encontrava sob a jurisdição da SESP (Secretaria Estadual de Segurança Pública); e por instâncias das Forças Armadas como o CIEX (Centro de Informação do Exército), CENIMAR (Centro de Informação da Marinha) e CISA (Centro de Informação da Aeronáutica). Estes setores contavam com a liberdade e autonomia para realizarem suas atividades. Em São Paulo, no ano de 1969, criou-se a Operação Bandeirantes (OBAN) que obtinha recursos financeiros do empresariado.
Não era formalmente vinculada ao II Exército, mas era composta com efetivos do Exército, Marinha, Aeronáutica, Polícia Política Estadual, Departamento de Polícia Federal, Polícia Civil, Força Pública e Guarda Civil (Brasil: Nunca Mais, 1985, p. 73).
Servindo como molde e, sobretudo como um teste que, segundo os militares deu certo na luta contra a subversão, a OBAN gerou as condições, agora dentro de parâmetros formais, para a implantação, em escala nacional, do Departamento de Operações Internas - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI). Surgiu em janeiro de 1970 e tinha o poder de usufruir, na área em que estivesse instalado, dos efetivos das Forças Armadas ou das polícias estaduais ou federal. No âmbito estadual, a Delegacia de Ordem Política e Social (DOPS), também atuava em todos os níveis de repressão: investigando, prendendo, interrogando, torturando e matando.
Uma das reflexões possíveis que tange a especificidade do governo militar brasileiro, refere-se a forma como o regime autoritário foi arquitetado no país. O regime foi articulado por uma notável ambigüidade, pois mesmo no exercício de um regime de exceção e essencialmente enfatizado por uma indelével "lógica da suspeição", os dirigentes procuravam legitimá-lo e caracterizá-lo como sendo um sistema de governo democrático. Do primeiro general-presidente (Humberto de Alencar Castello Branco) até o último (João Baptista de Oliveira Figueiredo) foi salientado, principalmente, nos discursos de posse dirigidos ao povo brasileiro, a adoção de ações e comportamentos em nome da defesa da democracia no país.
Por outro lado, constatou-se, ao longo de vinte e um anos de permanência dos militares no poder, que a existência de uma administração democrática foi apenas fictícia, haja vista o contundente papel repressor desempenhado pelos órgãos policiais e jurídicos a fim de suplantar possíveis distúrbios sociais que afetassem o andamento das atividades do Poder Executivo.
O governo de Emílio Garrastazu Médici (1969-1974) representou o período de maior repressão, de arbitrariedade e de prepotência de todo o ciclo militar. Por outro lado, o "milagre econômico", que se processou entre os anos de 1968 e 1973, estigmatizado, principalmente pelos grandiosos projetos públicos e pelo acelerado crescimento econômico, diminuíram o impacto causado pelas medidas de segurança utilizadas pelo governo. Além do que, pela ação de um marketing eficiente e uma censura forte, criou-se um clima de ufanismo em toda a nação, contribuindo, em grande medida, para o fortalecimento da imagem do presidente que angariou boa margem de prestígio, principalmente nas camadas populares.
Foi no governo de Médici e, com menor ênfase no governo do General Ernesto Geisel (1974-1979), que os grupos identificados com as guerrilhas urbana e rural foram sendo progressivamente eliminados. A repressão desencadeada na época atingiu centenas, talvez milhares de pessoas envolvidas com a luta armada.
No Brasil os números da ditadura não são exatos. Depois de vinte anos do fim do governo militar, os acessos aos arquivos secretos ainda são proibidos. Os organismos de segurança, como o SNI ainda mantém seus arquivos fechados. Os únicos disponíveis para pesquisa, somente em alguns Estados brasileiros, são os arquivos do DOPS e os arquivos do projeto Brasil Nunca Mais (BNM).
Aliás, essa é uma dívida que o Estado brasileiro tem com os seus cidadãos. Abrir e tornar público todos os arquivos da repressão da ditadura militar. A sociedade brasileira estabeleceu uma memória densamente acrítica com relação à ditadura: exemplo disso foi a anistia unilateral, tanto para os presos e torturados como para os torturadores (mas isso é um tema vencido no Brasil). O que mais deixa indignado a comunidade de pesquisadores e os familiares das vítimas é que tanto o governo FHC, como o atual governo Lula não resolveram essa questão dos arquivos. Pelo contrário, FHC fez publicar e Lula confirmar um decreto colocando mais dificuldades de acesso aos documentos chamados sigilosos e confidenciais do período em tela.
Para finalizar, é importante frisar que a memória desse período, de extrema repressão, onde as Forças Armadas tiveram a sua auto-imagem de defensora da pátria abalada, é ainda incômoda e imprecisa. É incômoda porque as novas descobertas sobre o período (depoimentos de ex-militares, trabalhos das comissões de direitos humanos, das comissões de familiares, dos grupos Tortura Nunca Mais, além de descobertas de arquivos, como o “arquivo do terror”, no Paraguai) desvenda com mais nitidez o terror que se abateu sobre os dissidentes do regime.
Isso faz com que, tanto a direita, como as classes dominantes, procurem se imiscuir dessa herança, através de discursos sobre a excepcionalidade do período e dos atos praticados. Elas estão imbuídas de apagar o passado e promover o esquecimento como a melhor forma da recuperação da harmonia nacional. Apagar da memória os crimes cometidos pelas ditaduras é apagar da memória as lutas desenvolvidas contra elas. Apagar da memória esse passado traumático, indesejado, é querer impedir que a sociedade conheça o arbítrio e a violência política instaurada pelas ditaduras. Em contrapartida, os grupos de esquerda, os familiares e os ativistas de direitos humanos tem desenvolvido uma importante ação no sentido de construir uma memória que se contraponha à memória oficial.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Che Guevara

Quem foi
Ernesto Rafael Guevara de La Serna, mais conhecido como Che Guevara, foi um famoso revolucionário socialista do século XX. Argentino, nasceu na cidade de Rosário em 14 de junho de 1928. Faleceu em 9 de outubro de 1967, na aldeia de La Higuera (Bolívia).

Vida de Che Guevara
Nasceu numa família de boas condições sociais. Desde a infância sofreu com a asma e, por recomendação médica, sua família mudou-se para uma região de campo, próxima a cidade de Córdoba (região central da Argentina), que possuía o ar de melhor qualidade.
Desde a adolescência foi incentivado pelos pais a ler livros da biblioteca particular da família. Foi nesta fase que entrou em contato com a literatura socialista (Marx, Engels e Lênin).
Como o negócio da família estava indo mal, resolveu trabalhar ainda com 14 anos de idade. Sem largar os estudos, conseguiu um emprego numa Câmara próxima a cidade de Córdoba.
Em 1946, a família resolveu mudar para a cidade de Bogotá (Colômbia) e Che Guevara começou a cursar Medicina na Universidade. Nesta mesma época, conseguiu um trabalho numa tipografia. Fazia também trabalho voluntário numa instituição de pesquisas sexuais.
Com o final da Segunda Guerra Mundial, começaram os movimentos estudantis de protesto contra o governo populista argentino de Domingo Perón. Guevara participou destes protestos.
Em 1951, na companhia do amigo Alberto Granado, deu início a uma viagem de motocicleta para conhecer a situação política, social e econômica da América Latina. Visitou várias regiões carentes como, por exemplo, minas de cobre, povoados indígenas e leprosários. Ficou impressionado com a miséria e as péssimas condições de vida das camadas mais pobres da sociedade.
No ano de 1953, formou-se médico e retornou para a Argentina. Porém, passou a dedicar-se ao mundo da política. Neste mesmo ano, fez uma nova viagem pela Bolívia, Peru, Panamá, Colômbia, Equador, Costa Rica, El Salvador e Guatemala.
Após a viagem, conheceu Hilda Gadea, e com ela, teve a primeira filha, Hildita.

Entrada na guerrilha 
Em 1954, conheceu, no México, Raúl Castro e logo depois o irmão Fidel Castro. Entrou para o grupo revolucionário de Castro, que se instalou na região de Sierra Maestra, em 1957. Pretendiam derrubar o governo de Fulgencio Batista, que era apoiado pelos Estados Unidos, e implantar o socialismo na ilha.
Após a vitória dos revolucionários, em 1959 e a implantação do socialismo em Cuba, Che Guevara tornou-se membro do governo cubano de Fidel Castro, exercendo as funções de embaixador, presidente do Banco Nacional e Ministro da Indústria.
Em 1961, Che visitou o Brasil e foi condecorado, pelo então presidente Jânio Quadros, com a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul.
Che Guevara acreditava que a revolução socialista, contra o imperialismo comandado pelos Estados Unidos, deveria ser levada para outros países. Lutou no Congo (África) e depois foi para a Bolívia, onde estabeleceu uma base guerrilheira. Pretendia unificar os países da América Latina sob a bandeira do socialismo e invadir a Argentina.
Com pouco conhecimento do território e sem apoio dos camponeses e do partido comunista boliviano, sua luta tornou-se difícil. Foi capturado pelos soldados bolivianos, na selva de La Higuera (Bolívia), em 8 de outubro de 1967. No dia seguinte foi executado.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Revolução Cubana - Movimento 26 de Julho de 1953





Cuba tornou uma sociedade entre dois mundos. Não é mais completamente socialista nem, muito menos, capitalista. Nem fechada, como era antigamente, mais ainda muito londe da abertura. (...)
Não há esperança de que o velho modelo estatal tenha muito tempo de sobrevita. Os cubanos parecem apenas desejar que a transição não seja muito dramática e se conserve, as conquistas nos campos da educação e da saúde, os dois principais cartões de visita do regime.
                                                               (Historia Global, Editora Saraiva 2012. Pag.165)

terça-feira, 28 de agosto de 2012

PESQUISA EM GRUPO PÁGINA 06

Realize uma pesquisa em grupo de acordo com as instruções do professor sobre os dois eventos esportivos,preocupando-se com as seguintes questões:


• Que países boicotaram os jogos de 1980 e 1984?

Foi liderado pelos Estados Unidos da America e 69 países acompanharam como Alemanha Ocidental, Canada, Japão, França Portugal e Reino Unido.

•Quais foram os motivos alegados pelos principais lideres dos boicotes em cada olimpíada?

Olimpiada de 1980 - O presidente Jimmy Carter deu um ultimato a União Sovietica para completar a remoção das tropas militares no Afeganistão, como não foi atendido decidiu-se pelo boicote.

Olimpiada de 1984 - Agora foi a vez da retaliação soviética. Cuba, Alemanha Oriental e demais países da Cortina de Ferro e do mundo comunista também aderiram ao boicote aos Jogos de Los Angeles. Os soviéticos alegaram falta de segurança para os seus atletas.

•Quais as consequências geradas por esses eventos para o "espírito olímpico" celebrado durante a realização dos jogos?

Prejudicou o nível técnico de várias modalidades dominadas pelos europeus do leste e pelos cubanos.
O boicote afetou severamente muitos eventos.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Musicas produzidas durante a Guerra Fria

Há diversas bandas e cantores de rock'and'roll que produziram durante a Guerra Fria, músicas de protesto influenciadas pela corrida atômica, pelas perseguições do macarthismo e pelas guerras decorrentes da rivalidades entre EUA e URSS, como a Guerra do Vietnã, por exemplo.

Bob Dylan - A hard rain's a-gonna fall (1962) - Tradução

Uma Chuva Forte Vai Cair 

Oh, onde você esteve meu filho de olhos azuis?
Oh, onde você esteve, meu jovem querido?
Tropecei ao lado de doze montanhas nebulosas
Eu andei e engatinhei em seis estradas tortuosas Eu pisei no meio de sete florestas tristonhas
Entrei e saí da frente de uma dúzia de oceanos mortos Estive dez mil milhas Na boca de uma sepulturaE é uma forte, é uma forte É uma forte, e é uma forteE é uma forte chuva que vai cair Oh, o que você viu, meu filho de olhos azuis?
Oh, o que você viu, meu jovem querido?
Eu vi um bebê recém nascido
Com lobos selvagens lhe rondando
Eu vi uma estrada de diamantes sem ninguém sobre ela
Eu vi um galho negro com sangue que pingava
Eu vi um quarto cheio de homens Com seus martelos sangrandoEu vi uma escada branca toda coberta de água
Eu vi dez mil oradores Cujas línguas estavam dilaceradasEu vi armas e espadas afiadas Nas mãos de crianças pequenasE é uma forte, é uma forte, é uma forte, é uma forte
E é uma forte chuva que vai cair E o que foi que você ouviu meu filho de olhos azuis?
E o que foi que você ouviu meu jovem querido?
Eu ouvi o som do trovão
E seu estrondo era um aviso
Ouvi o ronco de uma onda
Que poderia afogar o mundo inteiro Ouvi mil bateristasCujas mãos estavam em brasa
Ouvi dez mil sussurrando e ninguém estava ouvindo
Ouvi uma pessoa morrer de fome Ouvi muitos rindoOuvi a canção de um poeta que morreu na sarjeta
Ouvi o som de um palhaço que chorava no beco
E é uma forte, é uma forte
É uma forte, e é uma forte
E é uma forte chuva que vai cair
Oh, quem você encontrou meu filho de olhos azuis?
Quem foi que você encontrou meu jovem querido?
Eu encontrei uma criança jovem ao lado de um potro morto Encontrei um homem brancoQue passeava com um cachorro preto
Encontrei uma jovem mulher cujo corpo estava queimando
Eu encontrei uma jovem menina, ela me deu um arco-íris
Eu encontrei um homem que estava ferido no amor
Eu encontrei um outro homem que estava ferido em ódio
E é uma forte, é uma forte
É uma forte, e é uma forte
E é uma forte chuva que vai cair Oh, o que farás agora, meu filho de olhos azuis?
Oh, o que farás agora, meu jovem querido?
Vou voltar lá pra fora antes que a chuva comece a cair
Vou andar até as profundezas da mais negra floresta
Onde o povo é tamanho E suas mãos são vazias Onde as cápsulas de veneno estão afogando suas águas
Onde o lar no vale
Encontra a prisão úmida e suja
Onde o rosto do executor está sempre bem escondido
Onde a fome é feia, onde as almas são esquecidas
Onde preto é a cor, onde nada é o número
E eu posso contá-lo e pensa-lo e dize-lo e respira-lo E refleti-lo das montanhasPara que todas as almas possam vê-lo
Então ficarei em pé sobre o oceano até começar a afundar
Mas eu conhecerei minha canção bem
Antes de começar a canta-la
E é uma forte, é uma forte, é uma forte, e é uma forte
E é uma forte chuva que vai cair


“Em 1963, Dylan escreveu “A Hard Rain’s a-gonna fall” , onde a chuva seria, para o entendimento da maior parte dos que viveram naquela época,  negra e radioativa. A música descrevia a situação vivida pelo público naquele momento – medo, antecipação, preocupação, amargura e temor. O próprio Dylan disse que aquela era “uma música de terror. Linha após linha tentando capturar aquele sentimento de desolação”. Sua música traça paralelos entre o  que acontecia nos EUA e o imaginário usado pelos profetas bíblicos para descrever “destruição e desolação” 


Creedence Clearwater Revival - Fortunate Son (1969) - Tradução

Filho Afortunado 
Algumas pessoas nascem para balançar a bandeira,
Ooh, Elas são vermelhas, brancas e azuis,
E quando a banda toca "Saúde o Chefe"
Ooh, eles miram o canhão para você, Senhor.
Não sou eu, não sou eu,
Eu não sou filho do senador,
Não sou eu, não sou eu,
Eu não sou o afortunado, não.
Algumas pessoas nascem em berço de ouro,
Senhor, eles não se ajudam, oh.
Mas quando o coletor de impostos chega à porta,
Senhor, a casa parece um bazar de caridade, sim.
Não sou eu, não sou eu
Eu não sou filho de milionário
Não sou eu, não sou eu,
Eu não sou o afortunado
Sim, algumas pessoas herdam olhos com o brilho das estrelas,
Ooh, Eles te enviam para a guerra, Senhor,
E quando você os questiona, o quanto devemos dar,
Ooh, eles apenas respondem, mais, mais, mais, sim.
Não sou eu, não sou eu
Eu não sou filho do militar
Não sou eu, não sou eu,
Eu não sou o afortunado
Não sou eu, não sou eu
Eu não sou o afortunado, não não não
Não sou eu, não sou eu,
Eu não sou o filho afortunado, não não não


Em 1969, o Creedence Clearwater Revival deixou sua marca de protesto. Um mês após Woodstock, a banda lançou "Fortunate Son", uma canção que questionava o porquê de certas pessoas não serem convocadas para a guerra.

John Fogerty e Doug Clifford, vocalista e baterista, respectivamente, haviam servido o Exército de 1966 a 1967. Paralelamente, Fogerty percebeu que algumas pessoas ligadas a poderosos estavam conseguindo escapar do alistamento obrigatório. "Julie Nixon [filha do presidente Nixon] estava saindo com David Eisenhower [neto do ex-presidente Eisenhower], e você tinha a impressão de que nenhuma destas pessoas estariam envolvidas na guerra. Em 1969, a maioria do país acreditava que o moral estava alto entre as tropas, e por volta de 80% deles eram a favor da guerra. Mas para alguns de nós que estávamos observando mais de perto, nós sabíamos que estávamos indo em direção de problemas."
A canção, dessa forma, é cantada do ponto de vista de um soldado que não é o filho de nenhum senador, milionário ou líder militar, ou seja, não é um “filho afortunado”.

Neil Young - Ohio (1970) - Tradução

Ohio
Soldados de lata e Nixon está vindoFinalmente estamos sozinhosNeste verão eu ouço os tamboresQuatro mortos em Ohio
Temos que começarOs soldados estão nos destroçandoDevia ter sido feito muito tempo atrásE se você a conhecesseE encontrasse-a morta no chãoComo você pode fugir quando você conhece?
Temos que começarOs soldados estão nos destroçandoDevia ter sido feito muito tempo atrásE se você a conhecesseE encontrasse-a morta no chãoComo você pode fugir quando você conhece?
Soldados de lata e Nixon está vindoFinalmente estamos sozinhosNeste verão eu ouço os tamboresQuatro mortos em Ohio

A Universidade Estadual de Kent, uma das maiores do estado de Ohio (Estados Unidos) foi alvo da atenção da mídia internacional no dia 4 de maio de 1970. Na data, a Guarda Nacional estadual invadiu o campus e matou a tiros quatro de seus estudantes, ferindo mais nove, após dias de protestos estudantis contra a invasão do Cambodja, durante a Guerra do Vietnã. A Guarda havia sido chamada a Kent após os protestos (dentro e fora da universidade) terem começado a ficar violentos, com distúrbios no centro da cidade – resultando no incêndio de um prédio das Forças Armadas. Conhecido como Kent State Shootings, o fato causou o fechamento do campus da universidade e de vários outros por toda a nação, em protesto pela ação policial em Kent.
O incidente inspirou Neil Young a compor a música “Ohio”, que faria sucesso com o grupo Crosby Stills Nash & Young.